O Brasil vive um momento decisivo na consolidação de sua presença internacional na agenda de saúde digital. A realização do 15º Global Digital Health Partnership (GDHP) Summit, em Salvador, de 1º a 3 de julho de 2025, marcou não apenas a primeira edição do evento na América Latina, mas também a afirmação do país como um ator estratégico dentro do principal fórum global de transformação digital em saúde.
O Brasil demonstrou liderança exemplar e progressos impressionantes na transformação digital em saúde.
(Destaque OPAS em nota oficial)
Foram três dias de debates intensos, reunindo 45 participantes presenciais, 40 participantes online, representantes de mais de 20 países e convidados de organizações internacionais de destaque, como a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Rede de saúde digital da América Latina e do Caribe (RACSEL). O encontro também contou com uma visita técnica à Secretaria de Saúde da Bahia, ampliando o intercâmbio com gestores estaduais e aproximando os países membros da realidade do SUS.
Brasil no GDHP: participação ativa, influência global
A SEIDIGI representa o Brasil no GDHP com participação em todos os Grupos de Trabalho da parceria. Isso garante que o país esteja alinhado às tendências internacionais nos principais temas da transformação digital em saúde: governança, interoperabilidade, segurança e privacidade, engajamento e experiência do cidadão, evidências e avaliação.

Essa atuação constante posiciona o Brasil como voz influente no debate global, levando a perspectiva latino-americana e do Sul Global. O diferencial brasileiro, um sistema universal, continental e em rápida digitalização, fortalece discussões sobre equidade digital, inclusão, alfabetização digital em saúde e modelos de escalabilidade.
Ao mesmo tempo, a participação no GDHP permite ao país antecipar tendências, monitorar horizontes tecnológicos e aprender com as soluções dos demais países membros.
O 15th GDHP Summit: integração, cooperação e reconhecimento internacional
O Summit sediado pelo Brasil reforçou essa posição global. Além de apresentar os avanços do Brasil, a GDHP ofereceu um espaço de diálogo sobre temas centrais, como prontuários eletrônicos interoperáveis, uso de dados para gestão baseada em evidências, inteligência artificial e maturidade digital.
O evento contou com palestras do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (CIDACS), da RACSEL e OPAS, além das apresentações dos Grupos de Trabalho e Grupos de Interesse da organização, que aproximaram experiências de Holanda, Estados Unidos, Portugal, Angola e outros países.
Foi um verdadeiro prazer passar esses três dias juntos, fortalecendo nossa colaboração e testemunhando o impressionante progresso da saúde digital na América Latina. Sou particularmente grata à equipe brasileira pela hospitalidade e profissionalismo. Vocês estabeleceram um padrão excepcional para os próximos Summits.
(Presidente da GDHP, Bianca Rouwenhorst)
IPS no centro do debate: o Brasil como referência global
Um dos destaques da cúpula foi o painel “Cuidado global, impacto local: a jornada do IPS no Brasil”, conduzido pela SEIDIGI.
O Brasil apresentou sua trajetória no desenvolvimento do Sumário Internacional do Paciente (International Patient Summary, IPS) — um dos instrumentos mais estratégicos para a portabilidade transfronteiriça de informações de saúde.
O país tem sido reconhecido internacionalmente pelo avanço do IPS, especialmente por meio da integração ao Meu SUS Digital, que oferecerá ao cidadão uma ferramenta moderna, centrada no usuário e alinhada aos padrões internacionais.
A participação brasileira em Conectathons internacionais, sua atuação no G20 e no próprio GDHP reforçam essa liderança e evidenciam que a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) e os esforços nacionais de telessaúde já são vistos como modelos de referência global.
Impacto estratégico para o Brasil e para o Sul Global
Ser parte ativa do GDHP traz ganhos diretos para o Brasil:
- acesso às tendências mais recentes de políticas digitais;
- contato com arquiteturas globais de dados e interoperabilidade;
- aprendizado acelerado para aprimorar o IPS;
- fortalecimento da posição internacional da SEIDIGI;
- desenvolvimento de políticas públicas alinhadas às melhores práticas do mundo.
Ao mesmo tempo, o Brasil contribui com perspectivas únicas, demonstrando que é possível digitalizar um sistema universal e continental, levando inovação a populações diversas, com foco em equidade. Essa posição influencia positivamente outros países latino-americanos e de baixa e média renda, reforçando o papel do país como articulador regional.
Um marco para o Brasil
O 15º GDHP Summit, realizado em Salvador, consolidou a liderança brasileira na agenda global de saúde digital e reforçou a importância estratégica de participar de uma coalizão que reúne os principais sistemas de saúde do planeta.
A participação ativa no GDHP permitirá que essa trajetória continue, guiada pelo diálogo, cooperação e compromisso com uma saúde digital que coloque o cidadão no centro, dentro e além das fronteiras.
