O Ministério da Saúde está desenvolvendo novas ferramentas digitais para apoiar a população na tomada de decisões sobre a própria saúde. Chamadas de Ajudas Decisionais, elas reúnem informações confiáveis e apresentadas de forma simples, permitindo que cada pessoa compreenda melhor as alternativas de cuidado disponíveis.
A proposta é oferecer mais clareza sobre benefícios, riscos e possíveis impactos de cada escolha, favorecendo uma participação mais ativa dos cidadãos nas conversas com os profissionais de saúde.
A iniciativa fortalece o modelo de decisão compartilhada, em que paciente e profissional analisam juntos as opções disponíveis para definir a conduta mais adequada a cada situação.
Desenvolvidas no âmbito de uma cooperação técnica com o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme/Opas), as Ajudas Decisionais são baseadas em evidências científicas e utilizam linguagem acessível. O objetivo é apresentar, de forma clara, informações sobre riscos, benefícios, alternativas terapêuticas e possíveis impactos físicos, emocionais e sociais, apoiando escolhas mais conscientes e informadas.
As primeiras ferramentas estão sendo elaboradas com foco na saúde da mulher. Entre os temas em desenvolvimento estão:
- Métodos contraceptivos para mulheres adultas;
- Métodos contraceptivos para adolescentes;
- Terapia hormonal na menopausa.
Cada material segue um Procedimento Operacional Padrão (POP), fundamentado em referências internacionais, que contempla etapas como:
- Definição do escopo;
- Revisão da literatura científica;
- Síntese das evidências;
- Escuta qualificada de pacientes;
- Desenvolvimento do layout e validação técnica.
As Ajudas Decisionais poderão ser utilizadas antes, durante ou após a consulta, contribuindo para ampliar a autonomia das mulheres e sua participação nas decisões relacionadas à própria saúde.
Atualmente, os três temas encontram-se na fase de validação com profissionais de saúde e pacientes, que avaliam aspectos como clareza, compreensão, aceitação e viabilidade de uso na prática clínica.
Nesta etapa, participam entre cinco e sete profissionais e de dez a 15 pacientes, em testes realizados em unidades de saúde do Rio de Janeiro, incluindo serviços localizados no Complexo da Maré. Após essa fase, os materiais seguirão para um projeto piloto antes da publicação da versão final. Esse processo contribui para garantir que as ferramentas sejam úteis, acessíveis e adequadas à realidade dos serviços do SUS.
Além da produção dos conteúdos, o Ministério da Saúde também está estruturando o Portal das Ajudas Decisionais, que disponibilizará os materiais em PDF e em uma plataforma digital interativa, facilitando o acesso e a navegação dos usuários.
A iniciativa representa um importante avanço na qualificação do cuidado em saúde, ao promover relações mais equilibradas e participativas entre profissionais e pacientes, fortalecendo a autonomia das pessoas e contribuindo para seu bem-estar.
