A aproximação entre inteligência artificial, universidade pública e os desafios da saúde abre caminhos muito promissores para o SUS.
(Secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad).
A secretária esteve em Goiânia, no dia 23 de abril, em agenda voltada ao fortalecimento da inovação em saúde digital no país. Na ocasião, visitou o Centro de Excelência em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Goiás (CEIA-UFG), referência nacional na área.
O encontro reuniu a reitora Sandramara Matias Chaves, a vice-reitora Camila Cardoso Caixeta, o ex-reitor Edward Madureira, o professor Alexandre Taleb e equipes da universidade e do centro.
O CEIA-UFG desenvolve mais de 70 projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, com investimentos superiores a R$ 500 milhões e mais de mil bolsistas, consolidando Goiás como um polo estratégico em inteligência artificial.
A agenda também destacou iniciativas voltadas à saúde, com participação da Faculdade de Medicina e do Núcleo de Telessaúde da UFG, em articulação com o CEIA. A integração entre tecnologia e necessidades do sistema de saúde amplia o potencial de soluções inovadoras para o atendimento à população.
À frente da Secretaria de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad tem fortalecido parcerias com instituições de ensino e pesquisa, aproximando a inovação tecnológica das políticas públicas e contribuindo para o avanço da Saúde Digital no SUS.
A Secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, participou de encontro realizado no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, em Brasília. Com tema “Uso de Tecnologia em Políticas Públicas: O Caso do Piauí” , o evento reuniu autoridades e especialistas para debater inovação, inteligência artificial e políticas públicas.
O Piauí vem mostrando, com resultados concretos, como a tecnologia pode melhorar a vida das pessoas. Meus cumprimentos pelos avanços na Telessaúde e por outras inovações em saúde que ampliam o acesso, ajudam a reduzir desigualdades e fortalecem o cuidado. São experiências que dialogam diretamente com o que temos construído na SEIDIGI e com a agenda de transformação digital do SUS: inovação com responsabilidade, equidade e compromisso com a vida.
(Ana Estela Haddad)
A mesa oficial de abertura contou com a presença do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, da diretora do IDP, Laura Schertel Mendes, do governador do Piauí, Rafael Fonteles, e do deputado federal Agnaldo Ribeiro.
Durante o encontro, foi destacado o papel do estado do Piauí na implementação de soluções tecnológicas aplicadas à saúde, com avanços em telessaúde e outras iniciativas que ampliam o acesso, contribuem para a redução de desigualdades e fortalecem o cuidado à população. As experiências apresentadas dialogam com as ações conduzidas pela Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) e com a agenda de transformação digital do Sistema Único de Saúde (SUS), pautada pela inovação com responsabilidade, equidade e compromisso com a vida.
No painel sobre inteligência artificial na saúde, a secretária participou de debate com especialistas da área, em discussão mediada pela professora Marcele Figueira. Na ocasião, reforçou a importância de orientar o uso da tecnologia na saúde pelo interesse público, pela ética, pela soberania digital e pelo fortalecimento do SUS.
Sobre o evento:
O evento “Uso de Tecnologia em Políticas Públicas: O Caso do Piauí” é uma iniciativa do IDP voltada à discussão sobre como a inovação, o uso estratégico de dados e a inteligência artificial podem qualificar a formulação, a execução e o monitoramento de políticas públicas. A proposta do encontro é apresentar, de forma prática, a experiência do estado do Piauí na adoção de soluções tecnológicas aplicadas à gestão pública, com foco em áreas estratégicas como segurança pública, saúde digital e modernização administrativa. A programação também busca fomentar o debate sobre desafios éticos, governança, uso responsável de dados e oportunidades da transformação digital no setor público.
Sobre o IDP: O Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) é uma instituição de ensino superior, pesquisa e extensão, com sedes em Brasília e São Paulo. Em sua apresentação institucional, o IDP se define como um centro de excelência acadêmica, com atuação na graduação, especialização, extensão, mestrado e doutorado.
Na busca por soluções para os desafios dos sistemas de saúde, 12 mil pessoas, conectadas por 40 hubs de inovação em 30 países, participaram do HSIL Hackathon 2026 – Building High-Value Health Systems: Leveraging AI, realizado nos dias 10 e 11 deste mês.
O objetivo foi desenvolver soluções baseadas em inteligência artificial (IA) para a saúde pública. O evento é promovido pelo Health Systems Innovation Lab da Universidade de Harvard e, o Hub Brasília, foi realizado em parceria com o Ministério da Saúde.
No Brasil, a iniciativa contou com três hubs: Brasília (DF), Natal (RN) e São Paulo (SP). Em Brasília, houve a presença de 85 participantes de 10 estados (Bahia, Pará, Santa Catarina, Tocantins, Minas Gerais, São Paulo, Alagoas, Roraima, Ceará e Amazonas), organizados em 16 equipes. Os projetos se concentraram em três eixos: Fragmentação do Cuidado (9 equipes), Letramento em Saúde (4) e Barreiras de Comunicação (3).
Os participantes foram desafiados a propor soluções para questões prioritárias, como o aumento da demanda por serviços, o envelhecimento populacional, a desigualdade no acesso e o crescimento dos dados em saúde. Os mentores orientaram que as soluções deveriam ser destinadas a gestores do SUS e equipes desde a Atenção Primária à Especializada e as propostas adaptadas a diferentes níveis de maturidade tecnológica entre União, estados e municípios, além das desigualdades culturais e regionais do país.
Para o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, o SUS vive um processo de transformação digital impulsionado por iniciativas como o hackathon.
O SUS, por atender um país continental e diverso, é uma potência de inovação construída por profissionais da ponta. O desafio do Governo do Brasil é sistematizar essas informações e fortalecer essa capacidade. O hackathon promove uma imersão global em ideias relevantes para esse processo.
Para a secretária de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), Ana Estela Haddad, a construção multiprofissional é essencial para gerar inovação.
A competição motiva, mas o principal é o processo. Equipes com diferentes olhares constroem soluções mais aderentes à realidade. Os projetos demonstraram convicção e vivência dos desafios do SUS e podem orientar caminhos concretos.
Hackathon: maratona de inovação
O hackathon é uma maratona colaborativa em que participantes se reúnem por um a dois dias para desenvolver soluções inovadoras. Nesta edição, o desafio foi criar softwares capazes de reduzir gargalos em sistemas de saúde, integrando a experiência de profissionais da saúde e da tecnologia. As equipes analisaram problemas, desenvolveram soluções com uso de inteligência artificial, receberam mentorias e apresentaram propostas a uma banca avaliadora, que selecionou a melhor equipe para a próxima fase.
A banca foi composta pela diretora executiva de Atenção Integral à Saúde na Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS, Luciana Maciel de Almeida Lopes, a consultora do Ministério da Saúde, Dra. Maria do Carmo, a pesquisadora em políticas públicas de saúde, Dra. Nadja Bisinotti, a pesquisadora e professora na área de saúde coletiva da Universidade de Brasília, Ana Valéria Machado Mendonça, o professor na área de saúde e sociedade da Universidade de São Paulo, PhD Deivison Mendes Faustino, e o cirurgião dentista especialista em saúde digital, Dr. Marcelo Ramos Pinto.
A equipe selecionada, avança para o Venture Incubation Program, etapa global de incubação com dois bootcamps voltados ao aprimoramento dos projetos e pitches. Após essa fase, as 20 melhores equipes seguem para mentorias aprofundadas. Na etapa final, o Venture Building Immersion, as 10 equipes mais promissoras participam de seminários, workshops e mentorias para estruturar seus empreendimentos. O processo se encerra com o Demo Day Global, quando os projetos são apresentados a investidores gerando oportunidade de financiamento e parcerias.
Representante vencedora do Hub Brasília no desafio
A equipe vencedora em Brasília apresentou o projeto intitulado ONCONAV Brasil e seguirá para a etapa global ao ter desenvolvido uma proposta de IA soberana (open source), integrada ao Meu SUS Digital, para pacientes, gestores e profissionais. A proposta é reduzir mortes evitáveis ao enfrentar a fragmentação do cuidado, com navegação inteligente, monitoramento de prazos e integração de dados. Entre as funcionalidades estão: navegação do paciente oncológico, monitoramento da Lei dos 60 dias, agendamento automatizado e priorizado, organização da linha de cuidado (protocolos OCI), apoio à decisão e redução de desperdícios (controle BPA/APAC).
A equipe é formada pela estudante de administração, Clarysse Rodrigues Dias, pelo médico sanitarista, Denis Satoshi Komoda, pela tecnóloga em Sistemas biomédicos, Joana Ferreira da Silva, pela sanitarista, Kryslainne Millena Oliveira de Jesus, pela engenharia eletrônica, Sofia Consolmagno Fontes, e pela estudante de fisioterapia e desenvolvimento de sistemas, Thayna Gonçalves Dutra. Entre os membros da equipe, três atuam no Ministério da Saúde, na Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde.
Por: Patrícia Rodrigues, Max de Oliveira e Larissa Mangabeira – Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), promoveu nesta terça-feira (2), no auditório Emílio Ribas, em Brasília, o Seminário de Inteligência Artificial na Saúde. O encontro reuniu representantes do governo federal, do Congresso Nacional, especialistas, pesquisadores e sociedade civil para debater os impactos do Projeto de Lei nº 2.338/2023— conhecido como Marco Regulatório da Inteligência Artificial — e os desafios de ética, segurança e responsabilidade algorítmica no setor da saúde.
Aprovado no Senado Federal em dezembro de 2024 e atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, o PL define princípios, categorias de risco, mecanismos de governança e salvaguardas para proteger direitos fundamentais, como a supervisão humana e a auditabilidade.
Painel 1 – PL 2338/23: do texto ao debate na Câmara e seus impactos para o setor saúde
O primeiro painel contou com a presença do senador Eduardo Gomes (TO), relator do texto aprovado pelo Senado Federal, que destacou o objetivo de fomentar inovação, garantir segurança jurídica e estabelecer fiscalização efetiva, especialmente em áreas sensíveis como a saúde.
O deputado Aguinaldo Ribeiro (PB), relator da proposta na Câmara dos Deputados, explicou que o projeto já foi aprovado pela comissão especial e deve ter relatório apresentado até outubro, com previsão de votação ainda este ano.
A mesa de abertura reuniu ainda a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad; a advogada e professora Laura Schertel, integrante da Comissão de Juristas que subsidiou o texto do projeto; a chefe de gabinete da SECOM, Samara Castro; e a coordenadora do Comitê Gestor da Internet, Renata Mielli.
Entre as falas, destacou-se a da Dra. Laura Schertel, que ressaltou a centralidade da pessoa humana e a proteção dos direitos fundamentais como eixos estruturantes da proposta. Sua contribuição foi considerada uma das mais relevantes do encontro, ao reforçar:
A regulamentação da IA precisa garantir responsabilidade ética, transparência e segurança, sem inibir a inovação tecnológica.
A secretária Ana Estela Haddad destacou o processo democrático de construção do PL e a importância do tema para o setor saúde:
A versão do PL 2338 aprovada no Senado foi fruto de um debate democrático exemplar, chegando a um texto maduro. Este modelo virtuoso tem sido adotado também na Câmara dos Deputados, com uma série de audiências públicas que certamente levarão a uma versão ainda mais aperfeiçoada. Para o Ministério da Saúde este tema tem uma grande importância.
Painel 2 – Ética, segurança e responsabilidade algorítmica em saúde
Na sequência, o seminário trouxe o painel “Ética, segurança e responsabilidade algorítmica em saúde: dados sensíveis e gestão de riscos na regulação da inteligência artificial”, mediado por Adriana Macedo Marques, Encarregada de Dados Pessoais do Ministério da Saúde.
Participaram do debate: Arthur Pereira Sabbat, diretor da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD); Artur Yúri Alves de Souza, representante da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); Thiago Bahia, coordenador-geral de Disseminação e Integração de Dados e Informações em Saúde da SEIDIGI/MS; e Dr. Daniel Dourado, médico, advogado e pesquisador do Centro de Pesquisa em Direito Sanitário da USP.
Entre os principais pontos discutidos, Sabbat (ANPD) apresentou cinco riscos associados ao uso da IA: confiabilidade, segurança, ética, dependência tecnológica e responsabilização. Artur Yúri (Anvisa) defendeu a importância de uma regulação “à prova de futuro”, capaz de garantir segurança sem inibir a inovação. Thiago Bahia (SEIDIGI/MS) destacou o papel do Ministério da Saúde na governança da informação, com foco na interoperabilidade e no uso ético dos dados. Já Dr. Dourado (USP) reforçou a necessidade de transparência e explicabilidade dos algoritmos, além da definição clara de responsabilidades em casos de falhas.
Consenso pelo avanço responsável
O seminário reforçou que a confiança da sociedade na inteligência artificial aplicada à saúde depende diretamente de ética, transparência e segurança. Houve consenso de que a regulamentação deve equilibrar inovação e proteção de direitos fundamentais, assegurando que o SUS avance de forma responsável no uso da tecnologia.