Lançada em novembro de 2025, durante a COP 30, em Belém, a Infraestrutura de Dados Espaciais do Ministério da Saúde (IDE-MS) é uma plataforma estratégica pública e aberta (baseada em open source – Geonode), criada para organizar, estruturar, catalogar e disponibilizar, de forma padronizada, dados geoespaciais (dados com referência geográfica, como mapas, imagens de satélite e coordenadas) relacionados à saúde pública no Brasil.
Na prática, a plataforma funciona como um repositório de dados confiáveis e um portal de acesso a informações com localização geográfica, permitindo integração, interoperabilidade e visualização de dados.
Reunindo, atualmente, 135 conjuntos de dados (sendo 15 relacionados a informações climáticas), a IDE-MS permite integrar e cruzar informações espaciais de múltiplas fontes oficiais (como IBGE, INPE, INMET e Cemaden), otimizando a capacidade do Estado de monitorar doenças, planejar serviços, analisar riscos e subsidiar políticas públicas. Com os dados disponíveis na IDE-MS é possível, por exemplo, realizar:
Monitoramento de doenças: Analisar a distribuição geográfica de arboviroses (como dengue, zika e chikungunya) e de outros agravos de saúde.
Planejamento de serviços: Mapear a distribuição de unidades de saúde (como UBS e UPA), equipes de Saúde da Família e outros recursos para otimizar o planejamento e a alocação de investimentos.
Análise de riscos: Explorar a relação entre clima e saúde, identificando áreas de risco ambiental ou social, que podem afetar a saúde da população.
Apoio a Políticas Públicas: Fornecer dados concretos para a gestão e formulação de políticas de saúde, como a territorialização e o cadastramento da população.
Dessa forma, a IDE-MS promove a gestão territorial da saúde baseada em evidências, democratiza o acesso aos dados geoespaciais da saúde e promove a integração e o melhor uso das informações no setor, empoderando profissionais, gestores, pesquisadores e sociedade.
Vale destacar que, depois de 10 anos de hiato, a plataforma volta a inserir o MS no contexto da INDE: a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais, responsável por organizar, padronizar e compartilhar os dados geoespaciais do governo brasileiro.
Sob o calor úmido de Belém (PA), em meio às discussões globais sobre o futuro do planeta, o Ministério da Saúde apresentou uma série de iniciativas que mostram como a saúde pública brasileira está se reorganizando para enfrentar um cenário de eventos climáticos cada vez mais intensos.
A presença na COP 30 trouxe um recado simples e direto:
Proteger a população diante das mudanças climáticas depende de informação, planejamento e tecnologia que chegam às pessoas de forma concreta.
A conferência, que reuniu especialistas de vários países, serviu como vitrine para ações que combinam prevenção, ampliação do acesso e uso inteligente dos dados. Uma delas foi o lançamento do Guia de Mudanças Climáticas e Saúde, apresentado no estande do Instituto Evandro Chagas.
O material — disponível no Meu SUS Digital, no SUS Digital Profissional e em PDF — traduz em linguagem prática o que já faz parte da rotina do Brasil: preparação e cuidados adequados ao calor extremo, fumaça de queimadas, enchentes, secas e ondas de frio.
Organizado de maneira didática, o guia orienta quando buscar ajuda, como se proteger e o que fazer diante de diferentes situações climáticas. Para profissionais de saúde, reúne protocolos atualizados por sistemas do corpo humano e por tipo de evento, tornando-se uma ferramenta tanto para quem vive na periferia de Porto Alegre quanto para famílias ribeirinhas da Amazônia.
Durante o lançamento, a secretária de Informação e Saúde Digital, Ana Estela Haddad, ressaltou que o guia é uma ação concreta para aproximar o conhecimento científico da vida cotidiana.
Esse guia que nós estamos lançando hoje traz orientações práticas para a prevenção, para os cuidados e para a vigilância em situações climáticas, como calor extremo, frio intenso, poluição do ar e inundações.
Distribuído em vários formatos, o material chega ao público de forma simples:
A gente pode falar em Guia de Bolso, mas também em Guia na palma da mão, porque ele está sendo lançado nas plataformas do Meu SUS Digital e do SUS Digital Profissional. Essa forma de disponibilizar amplia a visibilidade institucional, aproxima a informação do cotidiano de quem cuida e de quem é cuidado e contribui para um SUS mais resiliente e preparado para os efeitos do clima.
(Ana Estela Haddad)
Outra entrega relacionada ao enfrentamento dos eventos climáticos foi a Infraestrutura de Dados Espaciais do Ministério da Saúde (IDE-MS), uma plataforma pública e aberta que reúne 133 camadas de informações — indicadores epidemiológicos, mapas climáticos, redes de serviços, recortes da Amazônia Legal, dados demográficos e áreas de risco.
A ferramenta permite enxergar, ao mesmo tempo, o território, a população e o clima, algo que antes exigia sistemas isolados. Para o Ministério, isso significa planejamento mais preciso, vigilância fortalecida e decisões mais rápidas em emergências.
A IDE-MS permitirá a geração de referências, análises territoriais e acesso a dados em tempo quase real, reunindo informações demográficas, de saúde e climáticas. Isso certamente beneficiará tanto as políticas públicas, no que diz respeito ao monitoramento e à previsão, quanto os pesquisadores, oferecendo uma ferramenta valiosa para compreender e antecipar riscos.
(Ana Estela Haddad)
Para a população, o efeito aparece no cotidiano: respostas mais ágeis, campanhas mais assertivas e serviços mais preparados para onde o risco cresce.
A COP 30 também marcou o reforço de uma diretriz que muda a base da assistência: todas as novas unidades de saúde financiadas pelo Ministério serão construídas já adaptadas ao padrão de telessaúde e de resiliência climática. Na prática, isso significa postos e hospitais prontos para conectar equipes à distância, ampliar diagnósticos e reduzir deslocamentos, algo fundamental para regiões remotas e para um país de dimensões continentais.
Menos viagens e custos, menos emissões, mais acesso a especialistas e diagnósticos mais rápidos: a telessaúde deixa de ser uma solução emergencial e passa a fazer parte da estrutura permanente do SUS.
Nesse cenário de adaptação às mudanças climáticas, a saúde digital emerge como um eixo estruturante tanto do Plano AdaptaSUS (2025–2035) quanto do Plano de Ação em Saúde de Belém, ao oferecer ferramentas essenciais para ampliar a resiliência do SUS frente aos impactos climáticos.
As iniciativas conduzidas pela SEIDIGI têm fortalecido essa agenda ao promover integração de dados, interoperabilidade, inovação e tecnologias voltadas à vigilância e ao cuidado em territórios vulneráveis. A ampliação da telessaúde, especialmente na Amazônia, em comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, demonstra como soluções digitais reduzem deslocamentos, diminuem a pegada de carbono e garantem continuidade do cuidado mesmo em condições adversas.
A consolidação de plataformas que integram informações de saúde, clima e ambiente reforça o compromisso brasileiro com sistemas de saúde mais sustentáveis, inclusivos e preparados para emergências climáticas.
Assim, ao integrar transformação digital e adaptação climática, o Brasil apresenta na COP30 uma visão moderna e equitativa de saúde pública, posicionando o SUS como um exemplo global nas respostas climáticas em saúde.
A Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI/MS) coordenou o painel “Transformação digital sustentável e inclusiva no Sistema Único de Saúde (SUS): telessaúde, informação e tecnologia na interface entre saúde e meio ambiente”, nesta quarta-feira, dia 12 de novembro, no estande do IEC, localizado na Zona Verde da COP30, que está sendo realizada em Belém. A equipe do Telessaúde UFPA/Ebserh, coordenada por Socorro Castelo Branco, esteve presente no evento.
Durante o painel, a secretária Ana Estela Haddad, da Secretaria de Informação e Saúde Digital (Seidigi) destacou como a transformação digital vem fortalecendo o Sistema Único de Saúde (SUS), com destaque especial para a Infraestrutura de Dados Espaciais do Ministério da Saúde (IDE-MS) — uma iniciativa pioneira que integra dados de saúde e meio ambiente para apoiar o planejamento territorial e a tomada de decisão baseados em evidências.
Além disso, a secretária também ressaltou os avanços em telessaúde e outras plataformas digitais que ampliam o acesso equitativo ao cuidado, especialmente em áreas remotas da Amazônia, ao mesmo tempo em que contribuem para a sustentabilidade ambiental.
O evento teve a apresentação de projetos conjuntos com o Instituto Evandro Chagas (IEC) e os esforços do Brasil em promover uma saúde pública equitativa, sustentável e digitalmente integrada, fortalecendo a colaboração intersetorial e evidenciando a interseção entre saúde, tecnologia e sustentabilidade ambiental.
A relação bilateral entre Brasil e Dinamarca em saúde completa mais de uma década marcada por resultados concretos, inovação e fortalecimento institucional.
Desde 2014, quando os dois Ministérios da Saúde assinaram a primeira Carta de Intenções, a cooperação estruturada entre os países evoluiu de intercâmbio técnico para uma parceria estratégica de longo prazo, capaz de influenciar diretamente a gestão do SUS e gerar benefícios também para o sistema dinamarquês.
Brasil e Dinamarca convergem em princípios fundamentais de seus sistemas de saúde: a busca pela universalidade, pela equidade e pela garantia de acesso público aos serviços essenciais. Ambos os países adotam modelos nos quais a saúde é tratada como direito social.
Agora, com a assinatura da Fase III da Cooperação Setorial Estratégica Brasil–Dinamarca, o projeto entra em uma etapa ainda mais ambiciosa, ampliando o foco para a transformação digital, o uso inteligente dos dados de saúde e a governança de sistemas interoperáveis.
Ter a Dinamarca como parceira é de extrema relevância para o Brasil
O sistema dinamarquês é amplamente reconhecido como um dos mais digitalizados do mundo, frequentemente ocupando os primeiros lugares nos rankings em maturidade digital em saúde.
No relatório “Health at a Glance 2023” da OCDE a Dinamarca teve a maior pontuação composta entre os países avaliados em maturidade digital em saúde, destacando-se em métricas como extração de dados de prontuários eletrônicos, uso de padrões clínicos, cobertura da população e vinculação por identificador único de paciente.
Para a SEIDIGI, trabalhar lado a lado com um país que já alcançou níveis tão maduros de saúde digital permite acelerar aprendizados e adaptar soluções que já foram testadas em larga escala ao nosso contexto. Para a Dinamarca, por sua vez, a parceria oferece a oportunidade de colaborar com um dos maiores sistemas públicos universais do planeta, com imenso potencial de escala, diversidade populacional e complexidade territorial, fortalecendo redes globais de pesquisa e inovação.
Uma parceria construída sobre resultados
O primeiro projeto bilateral focava em melhorar o uso dos dados de saúde para aprimorar a gestão da atenção à saúde no Brasil. Ao longo da Fase II, que se estendeu até 2025, Brasil e Dinamarca avançaram em temas como infraestrutura digital, governança de dados, interoperabilidade, arquitetura de sistemas e uso secundário de dados, consolidando um ambiente de trabalho conjunto que resultou em capacitações, missões técnicas, troca de metodologias, aprimoramento de processos e aproximação contínua entre instituições de ambos os países.
Fase III: um salto estratégico na transformação digital em saúde
A confiança construída ao longo de quase dez anos abriu caminho para uma nova etapa.
A recém-assinada Fase III é uma resposta direta às necessidades atuais do SUS, às prioridades definidas no Plano Nacional de Saúde 2024–2027 e às diretrizes de transformação digital da SEIDIGI.
A cooperação mira um objetivo central: melhorar o uso dos dados de saúde para garantir acesso mais rápido, universal e integrado a serviços de qualidade, fortalecendo a eficiência da gestão e impulsionando a transformação digital.
A fase atual está estruturada em três eixos de impacto, cada um deles capaz de gerar produtos concretos para o Brasil e para a Dinamarca:
(i) Fortalecimento da governança digital e da capacidade estratégica,
(ii) Governança de dados e interoperabilidade e uso de dados para fins secundários e
(iii) Avanço no uso secundário de dados para pesquisa, inovação e políticas públicas.
Um novo capítulo para a transformação digital em saúde
Com a Fase III agora assinada, Brasil e Dinamarca inauguram uma etapa madura, estratégica e sintonizada com as demandas contemporâneas. Não se trata apenas de cooperação técnica, mas de uma aliança sólida, baseada em confiança, resultados e visão compartilhada de futuro, na qual os dados de saúde geram cuidado de melhor qualidade, políticas mais inteligentes, inovação contínua e sistemas mais resilientes.
A cooperação Brasil–Dinamarca cresce, evolui e se fortalece. Demonstra a possibilidade de cooperações horizontais onde há reciprocidade e as partes envolvidas têm capacidades e aprendizados a compartilhar.
Ao fortalecer vínculos técnicos e políticos, a cooperação horizontal favorece a autonomia, a inovação e a construção coletiva de políticas públicas mais eficazes.