
Missão Fact-finding Dinamarca Fase III
Foto: Renato Maretti
A relação bilateral entre Brasil e Dinamarca em saúde completa mais de uma década marcada por resultados concretos, inovação e fortalecimento institucional.
Desde 2014, quando os dois Ministérios da Saúde assinaram a primeira Carta de Intenções, a cooperação estruturada entre os países evoluiu de intercâmbio técnico para uma parceria estratégica de longo prazo, capaz de influenciar diretamente a gestão do SUS e gerar benefícios também para o sistema dinamarquês.
Brasil e Dinamarca convergem em princípios fundamentais de seus sistemas de saúde: a busca pela universalidade, pela equidade e pela garantia de acesso público aos serviços essenciais. Ambos os países adotam modelos nos quais a saúde é tratada como direito social.
Agora, com a assinatura da Fase III da Cooperação Setorial Estratégica Brasil–Dinamarca, o projeto entra em uma etapa ainda mais ambiciosa, ampliando o foco para a transformação digital, o uso inteligente dos dados de saúde e a governança de sistemas interoperáveis.
Ter a Dinamarca como parceira é de extrema relevância para o Brasil
O sistema dinamarquês é amplamente reconhecido como um dos mais digitalizados do mundo, frequentemente ocupando os primeiros lugares nos rankings em maturidade digital em saúde.
No relatório “Health at a Glance 2023” da OCDE a Dinamarca teve a maior pontuação composta entre os países avaliados em maturidade digital em saúde, destacando-se em métricas como extração de dados de prontuários eletrônicos, uso de padrões clínicos, cobertura da população e vinculação por identificador único de paciente.
Para a SEIDIGI, trabalhar lado a lado com um país que já alcançou níveis tão maduros de saúde digital permite acelerar aprendizados e adaptar soluções que já foram testadas em larga escala ao nosso contexto. Para a Dinamarca, por sua vez, a parceria oferece a oportunidade de colaborar com um dos maiores sistemas públicos universais do planeta, com imenso potencial de escala, diversidade populacional e complexidade territorial, fortalecendo redes globais de pesquisa e inovação.
Uma parceria construída sobre resultados
O primeiro projeto bilateral focava em melhorar o uso dos dados de saúde para aprimorar a gestão da atenção à saúde no Brasil. Ao longo da Fase II, que se estendeu até 2025, Brasil e Dinamarca avançaram em temas como infraestrutura digital, governança de dados, interoperabilidade, arquitetura de sistemas e uso secundário de dados, consolidando um ambiente de trabalho conjunto que resultou em capacitações, missões técnicas, troca de metodologias, aprimoramento de processos e aproximação contínua entre instituições de ambos os países.
Fase III: um salto estratégico na transformação digital em saúde
A confiança construída ao longo de quase dez anos abriu caminho para uma nova etapa.
A recém-assinada Fase III é uma resposta direta às necessidades atuais do SUS, às prioridades definidas no Plano Nacional de Saúde 2024–2027 e às diretrizes de transformação digital da SEIDIGI.
A cooperação mira um objetivo central:
melhorar o uso dos dados de saúde para garantir acesso mais rápido, universal e integrado a serviços de qualidade, fortalecendo a eficiência da gestão e impulsionando a transformação digital.
A fase atual está estruturada em três eixos de impacto, cada um deles capaz de gerar produtos concretos para o Brasil e para a Dinamarca:
- (i) Fortalecimento da governança digital e da capacidade estratégica,
- (ii) Governança de dados e interoperabilidade e uso de dados para fins secundários e
- (iii) Avanço no uso secundário de dados para pesquisa, inovação e políticas públicas.
Um novo capítulo para a transformação digital em saúde
Com a Fase III agora assinada, Brasil e Dinamarca inauguram uma etapa madura, estratégica e sintonizada com as demandas contemporâneas. Não se trata apenas de cooperação técnica, mas de uma aliança sólida, baseada em confiança, resultados e visão compartilhada de futuro, na qual os dados de saúde geram cuidado de melhor qualidade, políticas mais inteligentes, inovação contínua e sistemas mais resilientes.
A cooperação Brasil–Dinamarca cresce, evolui e se fortalece. Demonstra a possibilidade de cooperações horizontais onde há reciprocidade e as partes envolvidas têm capacidades e aprendizados a compartilhar.
Ao fortalecer vínculos técnicos e políticos, a cooperação horizontal favorece a autonomia, a inovação e a construção coletiva de políticas públicas mais eficazes.

Comitiva dinamarquesa em Parintins