SUS digital, soberania e o desafio dos dados na saúde

Os caminhos e desafios da transformação digital em saúde foram debatidos no webinário Desenvolvimento, Tecnologias Digitais e o Risco de Vulnerabilidade em Saúde (Vulnerabilidade 4.0), promovido pelo Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz, em março de 2026. O encontro reuniu especialistas para discutir o papel estratégico dos dados, da inovação e da soberania no fortalecimento do SUS.

Um dos destaques foi a participação da secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, que reforçou a centralidade dos dados para o futuro da saúde no Brasil.

Segundo ela, a proteção e a governança dos dados em saúde são elementos fundamentais para a soberania sanitária e o desenvolvimento nacional. A secretária defendeu a construção de uma nuvem soberana, capaz de garantir que os dados governamentais permaneçam sob controle público, fortalecendo a autonomia do país diante das disputas globais por informação e tecnologia.

Ana Estela também destacou a importância de iniciativas estratégicas, como o Programa Genoma Brasil, e reconheceu o papel histórico de lideranças e gestores que vêm estruturando a agenda de saúde digital no país, consolidando-a como política de Estado.

O debate evidenciou um cenário global marcado por desigualdades no controle de dados, tecnologias e infraestrutura digital. Especialistas alertaram que grande parte desses recursos está concentrada em poucos países e corporações, o que pode ampliar a dependência tecnológica e comprometer a capacidade de resposta dos sistemas de saúde.

Nesse contexto, os participantes defenderam que o SUS tem potencial para liderar uma transformação digital orientada ao interesse público, à redução das desigualdades e à geração de valor social. Para isso, é essencial fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), investir em inovação nacional e garantir governança pública sobre dados estratégicos.

Também foram apresentadas iniciativas do Ministério da Saúde que já avançam nessa direção, como o Meu SUS Digital, a ampliação da telessaúde, o uso de inteligência artificial sob governança pública e o fortalecimento de sistemas de apoio à gestão.

Ao final, o encontro reforçou que a transformação digital na saúde precisa estar alinhada aos princípios do SUS — universalidade, integralidade e equidade — e orientada por um projeto nacional que integre inovação, desenvolvimento e compromisso com a vida.

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