Caderneta Digital da Gestante moderniza o cuidado materno no SUS

A partir de agora, além da tradicional versão física, milhões de brasileiras poderão acessar suas informações de pré-natal, orientações de saúde, registros clínicos e conteúdo de cidadania diretamente no celular, por meio do aplicativo Meu SUS Digital.

A Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI/MS) e a Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS/MS) lançaram a primeira versão digital da Caderneta Brasileira da Gestante. A novidade, apresentada pelo ministro Alexandre Padilha na Maternidade-Escola da UFRJ/HU Brasil, no Rio de Janeiro, marca um avanço histórico na forma como o país organiza, acompanha e orienta a saúde das gestantes.

Miniapp da Caderneta Digital da Gestante

A nova caderneta — tanto física quanto digital — foi reformulada com base em evidências científicas atualizadas e incorpora temas essenciais para a integralidade do cuidado, como saúde mental, luto materno e parental, equidade, direitos das gestantes e enfrentamento das violências, incluindo a obstétrica.

A proposta é que a gestante tenha, literalmente, o pré-natal na palma da mão, com informações confiáveis, atualizadas e acessíveis a qualquer momento.

Tradicionalmente, as nossas cadernetas da gestante eram as cadernetas do pré-natal, mas agora o documento se expande para contemplar toda a jornada da gestação ao pós-parto, com uma abordagem mais humana, completa e conectada.

(Ministro Padilha)

Além disso, a nova caderneta reforça o compromisso do Ministério da Saúde com a Rede Alyne, que orienta ações voltadas à redução da mortalidade materna e à mitigação das desigualdades históricas no atendimento.

A estrutura do documento dedica seções exclusivas ao enfrentamento da violência de gênero, ao combate ao racismo institucional e ao reconhecimento das especificidades de populações do campo, da floresta e das águas. Ao incluir conteúdos adaptados a diferentes realidades culturais e territoriais, o Ministério reafirma a importância de um cuidado sensível, equitativo e centrado nas necessidades reais das mulheres brasileiras.

Onde a caderneta está disponível

Teste com usuário - Caderneta Digital da Gestante

A versão física da Caderneta da Gestante continuará sendo distribuída gratuitamente em todo o país, com previsão de entrega de 3,2 milhões de exemplares. Já a versão digital está disponível dentro do aplicativo Meu SUS Digital, que pode ser baixado gratuitamente nas lojas de aplicativos para Android e iOS.

O aplicativo já oferece conteúdos interativos na área “Conteúdos”, permitindo que gestantes, familiares e profissionais acessem informações qualificadas sobre pré-natal, parto, puerpério, amamentação e planejamento familiar. Em etapas posteriores, será lançado o miniaplicativo completo, que digitalizará integralmente a caderneta física, incluindo campos de registro clínico e funcionalidades adicionais.

O que a gestante encontra na nova caderneta

Lançamento da nova Caderneta da Gestante, pelo ministro Alexandre Padilha/MS

Entre os conteúdos disponíveis, estão:

Histórico reprodutivo completo, incluindo informações sobre gestações anteriores, abortos, natimortos, filhos vivos e condições clínicas relevantes. Como descreve um dos trechos do documento, a caderneta “fala do teu tipo sanguíneo, dos exames, fala de tudo”.

Plano de parto, com orientações detalhadas para que a gestante possa expressar suas preferências e direitos durante o trabalho de parto e o nascimento. O ministro Padilha reforçou que a gestante passa a ter um instrumento para levar à maternidade e exigir que o plano seja elaborado e respeitado.

Identificação do acompanhante, métodos de alívio da dor, presença de doula e procedimentos previstos para o parto.

Orientações sobre sinais de violência obstétrica, com explicações claras para que a gestante e seu acompanhante possam reconhecer e denunciar situações de abuso ou desrespeito.

Cuidados no puerpério, incluindo saúde física e emocional, amamentação, planejamento familiar e acompanhamento do recém-nascido.

Vacinas recomendadas durante a gestação, com espaço para registro das doses aplicadas.

Informações sobre saúde mental, luto materno e parental, equidade racial e direitos das gestantes.

Conteúdos adaptados a diferentes contextos socioculturais, reconhecendo a diversidade das experiências de gestar no Brasil.

A versão digital amplia ainda mais esse acesso, permitindo que a gestante consulte conteúdos interativos, vídeos, textos explicativos e orientações práticas. A ferramenta de busca facilita a localização rápida de informações, tornando o processo mais ágil e intuitivo.

Como foi desenvolvido o miniaplicativo da Caderneta Digital

Oficina de Inovação da Caderneta Digital da Gestante. Mesa de abertura institucional.

A criação da versão digital da Caderneta da Gestante foi resultado de um processo colaborativo e inovador, envolvendo diferentes áreas do Ministério da Saúde e a participação direta de gestantes, profissionais de saúde e especialistas.

Em setembro de 2024, o grupo organizador promoveu uma oficina de inovação com duração de quatro dias, conduzida pela metodologia Design Sprint. O objetivo foi criar um ambiente de cocriação, com escuta ativa de diferentes atores envolvidos no processo de gestação. Gestantes, enfermeiras, obstetras, doulas, especialistas e representantes de instituições convidadas participaram da construção das soluções que deram origem ao protótipo da caderneta digital.

Durante a oficina, foram realizados testes com usuárias de Unidades Básicas de Saúde de Brasília, permitindo identificar percepções, dificuldades e sugestões de melhoria. Esse processo garantiu que a ferramenta fosse desenvolvida de forma participativa, atendendo às necessidades reais do público e promovendo uma experiência mais intuitiva e acolhedora.

A versão digital também foi pensada para apoiar a intersetorialidade e melhorar a tomada de decisões, ao integrar informações de diferentes pontos da rede assistencial. A digitalização da caderneta física permitirá, futuramente, que profissionais de saúde registrem dados diretamente no aplicativo, facilitando o acompanhamento contínuo e reduzindo falhas de comunicação entre equipes.

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Por: Fabiana Costa (DATASUS/SEIDIGI/MS)