Manaus recebeu, nesta sexta-feira (3), a etapa que marca a conclusão da iniciativa que percorreu todas as capitais brasileiras e o Distrito Federal levando serviços públicos gratuitos à população. No SESI Clube do Trabalhador, o Ministério da Saúde ofertou vacinação, testes rápidos, atendimento odontológico, exames e serviços especializados com apoio da telessaúde.
Na ação, foram realizados 76 exames de retinografia, 32 atendimentos de glicemia, 2 teleinterconsultas em pediatria, 23 interconsultas em dermatologia e 7 em ginecologia. As ações de telessaúde, coordenadas pela Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) do Ministério da Saúde, reuniram 34 profissionais do Núcleo Acadêmico Técnico Científico de Telessaúde da Amazônia – NTSA (UFAM), do Telessaúde UEA e do Núcleo de Saúde Digital da Pessoa Idosa – FUnATI.
Para quem buscou atendimento, a presença dos serviços fez diferença. Edineide Oliveira destacou a organização da ação e resumiu sua experiência em uma palavra: “gratidão”.
É um excelente trabalho, com diversos profissionais. Organização nota dez.
(Edineide Oliveira)
Já Elt v en Cristiano, que realizou exame de retinografia, avaliou o atendimento como “excelente” e contou que sempre participa dessas ações quando elas chegam à cidade.
Trouxe uma tia para fazer também. Está de parabéns.
(Elt v en Cristiano)
A etapa de Manaus também reforçou a integração entre o atendimento presencial e os serviços digitais de saúde. Por meio da telessaúde, usuários puderam passar por avaliação especializada e, quando necessário, receber encaminhamento para unidades de referência, ampliando o acesso ao cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS).
A secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, acompanhou, no dia 30 de junho, em Barretos (SP), um momento histórico para o Sistema Único de Saúde (SUS), que superou as barreiras geográficas da medicina de alta complexidade. Um paciente com câncer de reto atendido na região amazônica foi submetido à primeira telecirurgia robótica oncológica de longa distância realizada na saúde pública brasileira.
O procedimento conectou, em tempo real e com latência mínima, as equipes do Hospital de Amor Amazônia, em Porto Velho (RO), e especialistas da unidade de Barretos (SP), que acompanharam e participaram da cirurgia a cerca de 2,7 mil quilômetros de distância.
Segundo a secretária, o processo representou muito mais do que uma demonstração tecnológica.
Foi resultado de muito trabalho técnico, cooperação institucional e compromisso com a ampliação do acesso à saúde.
Ana Estela Haddad ressaltou que o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), vem estudando os requisitos de conectividade necessários para viabilizar cirurgias dessa complexidade.
São equipamentos que exigem uma conexão de altíssima performance, com baixa latência, redundância, estabilidade e segurança, para garantir a transmissão dos comandos e das informações em tempo real.
Ela também destacou que a iniciativa representa uma importante prova de conceito para o avanço da saúde digital no país.
Ao demonstrar que essa conexão é possível, segura e capaz de aproximar equipes localizadas em regiões tão distantes, criamos as bases para ampliar esse modelo e levar o cuidado especializado a outros territórios.
Para o presidente do Hospital de Amor Henrique Prata, o momento simboliza a continuidade da missão que deu origem à instituição.
Quando o Hospital de Amor nasceu, o nosso sonho era cuidar de quem mais precisava. Hoje, ver um paciente em Porto Velho sendo operado com o apoio de uma equipe em Barretos mostra que esse sonho continua crescendo. A tecnologia, quando está a serviço da vida, encurta distâncias, melhora a recuperação do paciente e leva esperança para lugares onde antes era muito mais difícil chegar.
(Henrique Prata)
Para a secretária, a inovação só alcança seu verdadeiro propósito quando gera benefícios concretos para a população.
Faz sentido quando reduz desigualdades, amplia o acesso e melhora a vida das pessoas. É essa transformação digital que estamos construindo no SUS, com tecnologia a serviço do cuidado e de quem mais precisa.
Ao final, Ana Estela Haddad parabenizou o Hospital de Amor e suas equipes médicas, assistenciais e técnicas pela excelência dedicada ao Sistema Único de Saúde. Também agradeceu ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, e a todos os profissionais envolvidos na realização da iniciativa.
O SUS Digital está transformando a forma como milhões de brasileiros acessam informações e serviços de saúde.
Nesta semana, a secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, participou do programa Sem Censura, da TV Brasil, para conversar sobre os avanços da transformação digital no SUS e os benefícios que já chegam à vida da população.
Durante o bate-papo, foram apresentados recursos que tornam o cuidado em saúde mais integrado, acessível e eficiente, como o Meu SUS Digital, a ampliação da telessaúde, a integração de dados por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) e outras iniciativas que aproximam o cidadão dos serviços do SUS.
Além de compartilhar informações sobre a saúde digital no Brasil, Ana Estela destacou a alegria de participar de um programa que acompanha há muitos anos, em uma conversa inspiradora com Cissa Guimarães, Katy Navarro, a atriz Clarice Niskier e o rabino e escritor Nilton Bonder.
Uma conversa leve, acolhedora e repleta de reflexões sobre comunicação, cultura, espiritualidade e inovação no cuidado em saúde.
▶️ Assista e conheça como o SUS Digital está ajudando a construir um sistema de saúde cada vez mais conectado às necessidades dos cidadãos.
A cuidadora de idosos Raiza Yong Montalvo, de 56 anos, procurou atendimento durante a ação realizada nesta quinta-feira (18), em Florianópolis (SC) e recebeu orientações e encaminhamento após passar por avaliação de telestomatologia. Ela é natural de Cuba e morando no Brasil há cerca de dois anos e meio saiu do atendimento com a expectativa de finalmente dar continuidade ao acompanhamento de um problema de saúde bucal que a acompanha há anos.
Cheguei até esta ação por meio de uma divulgação. Aqui, tive acesso a diversos atendimentos. Um deles foi na área da saúde, com dermatologia e também estomatologia.
Fui muito bem atendida e orientada. Foram feitas fotografias e agora serei encaminhada para receber uma atenção melhor para o meu problema de saúde bucal. Tenho esse problema há muitos anos. Agora já vou ser encaminhada e estou muito contente com o atendimento e com as recomendações que recebi aqui.
(Raiza Yong)
A ação integrou uma iniciativa que levou à população exames especializados de teledermatologia e telestomatologia por meio de uma parceria entre a Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde (SEIDIGI/MS) e o Núcleo de Saúde Digital da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Realizada na Arena Floripa, a iniciativa reuniu serviços de diversos órgãos federais e aproximou a população de políticas públicas e atendimentos essenciais.
Outra pessoa que aproveitou a oportunidade para realizar uma avaliação especializada foi o advogado Sandro Roberto Maciel. Ele descobriu o serviço enquanto visitava os estandes do evento.
Na verdade, eu fui surpreendido. Estava visitando os estandes e não vim com a intenção de fazer nenhuma consulta. Apenas estava passando pelo local, fui conhecer o espaço e descobri a possibilidade de realizar o exame.
Foi muito rápido e muito prático. Segundo as profissionais, possivelmente ainda hoje terei acesso ao laudo do exame. Achei uma experiência muito positiva e muito bacana. Tenho uma lesão há muitos anos, mas nunca foi algo que me incomodasse. Aproveitei a oportunidade para fazer o exame e verificar se existe algum problema.
(Sandro Roberto)
Saúde digital fortalece a Atenção Primária
As atividades foram realizadas pelo Núcleo de Saúde Digital da UFSC, que apresentou duas soluções de telediagnóstico financiadas pelo Ministério da Saúde.
Segundo a coordenadora do Núcleo de Telessaúde da UFSC, Josimari Telino, os exames realizados durante a ação contribuem para ampliar o acesso da população a avaliações especializadas.
Estamos realizando exames de dermatologia e estomatologia. Os laudos serão emitidos e disponibilizados aos pacientes. Aqueles que precisarem também serão encaminhados para os seus serviços de referência.
(Josimari Telino)
As soluções apresentadas durante o evento fazem parte das estratégias de saúde digital apoiadas pelo Ministério da Saúde para fortalecer a Atenção Primária à Saúde (APS) e qualificar os encaminhamentos para a atenção especializada.
Teledermatologia
Na teledermatologia, informações clínicas e imagens das lesões são registradas em uma plataforma digital segura e avaliadas por dermatologistas.
Os especialistas emitem laudos, orientam a conduta clínica e classificam os casos de acordo com o nível de risco, indicando se o paciente pode ser acompanhado na APS ou se necessita de atendimento especializado.
A estratégia contribui para reduzir filas de espera, evitar deslocamentos desnecessários e garantir que os casos mais graves tenham prioridade no acesso aos serviços especializados.
Telestomatologia
A telestomatologia permite a avaliação remota de lesões na cavidade bucal. Por meio do envio de fotografias e informações clínicas, especialistas analisam os casos, elaboram hipóteses diagnósticas, orientam o manejo clínico e classificam o risco das lesões, apoiando a tomada de decisão das equipes de saúde.
A cirurgiã-dentista Gabriela Bampi, integrante da equipe operacional de telediagnóstico do Núcleo de Saúde Digital da UFSC, explicou como funciona o atendimento.
Quando uma pessoa chega com alguma queixa relacionada a uma lesão ou mancha na cavidade bucal, nós podemos acolhê-la, conversar, fazer uma anamnese e avaliar a situação. A partir disso, verificamos se é necessário buscar a opinião de um estomatologista.
Fazemos fotografias da cavidade bucal e da lesão e inserimos essas imagens em nosso sistema. O especialista consegue, de onde estiver, analisar o caso e emitir um laudo.
O paciente recebe um protocolo para acompanhar o resultado do exame. Depois, pode acessar o resultado de casa ou de qualquer outro lugar e consultar o laudo referente à lesão identificada na cavidade bucal.
( Gabriela Bampi)
Saúde, cidadania e acesso a direitos
A estudante Luciana Cristina da Silva aproveitou a ação para receber a vacina contra a influenza e acessar outros serviços disponibilizados durante o evento.
Eu achei essa ação muito importante para a cidade de Florianópolis. Estava querendo tomar a vacina da gripe, mas não sabia como fazer, porque no posto próximo de onde eu morava, em São José, não tinha. Hoje consegui vir aqui e tomar a minha vacina da gripe.
(Luciana da Silva)
Além dos serviços de saúde, Luciana destacou a importância da iniciativa para ampliar o acesso da população à informação e aos direitos sociais.
Essa ação é importante para conscientizar os cidadãos que têm pouco acesso à informação e que, muitas vezes, não conhecem os seus direitos ou não sabem como fazer documentos, como registro, certidão de nascimento, CPF e título de eleitor. Acho muito importante que as pessoas consigam emitir suas certidões e acessar seus direitos.
(Luciana da Silva)
A iniciativa busca facilitar o acesso da população a serviços públicos essenciais e promover a integração entre diferentes políticas governamentais, levando atendimento, informação e cidadania diretamente aos cidadãos.
A possibilidade de realizar um exame cardiológico e receber o laudo especializado no mesmo dia chamou a atenção de quem passou pelo Governo do Brasil na Rua, realizado na sexta-feira (12), em Belém (PA). A ação do Ministério da Saúde ofertou tele-eletrocardiogramas (Tele-ECG), ampliando o acesso da população a diagnósticos cardiológicos por meio da telessaúde.
O serviço foi realizado numa parceria entre a Secretaria de Informação e Saúde Digital (Seidigi) da pasta e o Núcleo de Telessaúde do Complexo Hospitalar Universitário da Universidade Federal do Pará (UFPA). Os exames foram feitos no local e enviados para análise de cardiologistas, permitindo a emissão do laudo ainda durante a ação.
A diretora de uma escola local Tatiane Vilar não planejava buscar atendimento de saúde durante a visita ao evento, mas decidiu realizar o exame ao conhecer o serviço disponível.
Eu realmente não vim para nenhum atendimento, mas cheguei aqui, achei interessante e acabei fazendo o atendimento. Foi muito bom, rápido e de qualidade
(Tatiane Vilar)
O empresário Carlos Kubota também aproveitou a oportunidade para cuidar da saúde.
Eu já estava pensando em fazer esse tipo de exame para ver como o meu coração está. O atendimento foi muito rápido e muito bom.
(Carlos Kubota)
De acordo com a professora Socorro Castelo Branco, do Núcleo de Telessaúde da UFPA, os exames são realizados no local e avaliados por cardiologistas, permitindo que os pacientes recebam o resultado ainda no mesmo dia.
A pessoa vem aqui, realiza o eletro e recebe o laudo no mesmo dia. Além disso, contamos com médicos para orientar os pacientes após a realização do exame.
(professora Socorro Castelo Branco))
Telessaúde amplia acesso a exames especializados
O tele-eletrocardiograma permite a realização do exame em diferentes pontos de atendimento, com envio digital para análise por especialistas. A estratégia contribui para ampliar o acesso da população a diagnósticos cardiológicos, especialmente em locais onde a oferta presencial de especialistas é mais limitada.
Os números registrados durante a ação demonstram a procura pelos serviços ofertados.
Ao todo, foram realizados 90 atendimentos de vacinação, com aplicação de 176 doses, além de 85 exames de tele-eletrocardiograma, que possibilitaram a emissão de laudos especializados no mesmo dia.
A oferta de exames por telessaúde é uma das ações do programa Governo do Brasil na Rua, executada pelo Ministério da Saúde, e visa ainda o fortalecimento da saúde digital no Sistema Único de Saúde (SUS).
Duas irmãs diabéticas da comunidade Vila Esperança, na zona rural de São Luís, corriam o risco de perder a visão. Durante uma ação de telerretinografia realizada pelo Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), lesões na retina foram identificadas precocemente. Em menos de 30 dias, ambas realizaram o tratamento necessário e evitaram a cegueira.
A história é uma das muitas que ilustram o impacto da telessaúde no Maranhão, onde a tecnologia vem aproximando o acesso à saúde especializada de populações que vivem longe dos grandes centros urbanos.
São pessoas que talvez não tivessem a mesma oportunidade que tantas outras têm. Conseguimos chegar a esses locais e mudar o desfecho dessas histórias. No caso das irmãs da Vila Esperança, as duas poderiam ter ficado cegas se a gente não tivesse chegado a tempo.
(coordenadora administrativa do Núcleo de Telessaúde da UFMA, Amanda Araújo)
Criado em 2007 no Hospital Universitário da UFMA, inicialmente vinculado à Rede Universitária de Telemedicina (RUTE), o núcleo integra o Programa Telessaúde Brasil Redes desde 2014. Ao longo dos anos, expandiu sua atuação e se tornou uma referência nacional em teleassistência, teleeducação e desenvolvimento de soluções tecnológicas para a saúde.
Nasceu bem pequenininho e foi crescendo. Hoje nos consideramos um núcleo importante não apenas regionalmente, mas também nacionalmente, especialmente na área de teleeducação.
(coordenador do Núcleo de Telessaúde da UFMA, professor Humberto Costa)
Atualmente, o serviço está presente em 58 municípios maranhenses e já se prepara para ampliar sua atuação para mais dez cidades, alcançando 68 municípios.
Diagnóstico especializado mais perto da população
Por meio da oferta nacional de telediagnóstico, realizada em parceria com universidades federais, o núcleo disponibiliza teleeletrocardiograma e telerretinografia, além de teleconsultorias, teleinterconsultas e ações de teleeducação.
Segundo Breno Lucas, coordenador de Telediagnóstico do núcleo, a rede conta atualmente com 201 pontos ativos de telediagnóstico distribuídos em hospitais, unidades básicas de saúde e outros serviços da rede pública.
São locais que possuem equipamentos de eletrocardiograma ou de retinografia e participam ativamente da oferta dos serviços. Hoje temos 58 municípios ativos e estamos ampliando para mais dez.
(Breno Lucas)
Desde abril de 2024, quando foi iniciado o atual projeto de telediagnóstico, já foram realizados 24.797 exames laudados. Desse total, 23.816 são eletrocardiogramas e 981 retinografias.
O alcance dos exames é ampliado pelo uso de equipamentos portáteis. No caso da retinografia, os aparelhos podem ser deslocados entre diferentes localidades, permitindo que o atendimento chegue a regiões remotas.
Com um equipamento portátil e profissionais capacitados, conseguimos alcançar áreas de difícil acesso em todo o estado.
(Breno Lucas)
Tecnologia para reduzir filas e salvar vidas
Além da realização de exames, o Núcleo de Telessaúde da UFMA também atua na qualificação das filas de espera por consultas especializadas.
Em parceria com a Prefeitura de São Luís, o trabalho de revisão e organização dos encaminhamentos já permitiu reduzir em mais de 5 mil pacientes a fila da cardiologia, que anteriormente contava com cerca de 14 mil pessoas aguardando atendimento.
Outro caso emblemático ocorreu no município de Itapecuru-Mirim. Durante a realização de um eletrocardiograma, a equipe identificou sinais compatíveis com um infarto agudo do miocárdio em um paciente.
Conseguimos identificar que ele estava tendo um infarto. O diagnóstico permitiu o encaminhamento imediato e ajudou a salvar sua vida
(coordenadora Amanda Araújo)
Hanseníase e educação permanente
A hanseníase é uma das prioridades do núcleo. Desde 2016, o projeto Hanseníase em Foco oferece suporte especializado às equipes de saúde por meio de teleinterconsultas.
A hanseníase ainda é muito forte no Maranhão. Temos uma atuação intensa nessa área e conseguimos avanços importantes nos últimos anos.
(professor Humberto Costa)
Além da assistência, o núcleo investe fortemente na educação permanente dos profissionais de saúde. Podcasts, webpalestras, cursos e transmissões ao vivo abordam temas como saúde mental, epidemiologia, hanseníase e prevenção de doenças.
Nosso objetivo é sempre a educação. As transmissões ultrapassam as fronteiras do Maranhão e chegam a outros estados e até outros países.
(coordenador de Comunicação do núcleo, Luís Felipe Dias)
Todas as atividades oferecem certificação e podem ser utilizadas na capacitação dos profissionais de saúde.
Sofia: tecnologia desenvolvida no Maranhão
Grande parte das ações do núcleo é viabilizada pela Sofia, plataforma desenvolvida pela própria equipe da instituição. Criada em 2018, a ferramenta surgiu da necessidade de reunir informações estratégicas sobre os serviços prestados e apoiar a tomada de decisões.
Sofia significa Sistema Online de Fortalecimento Iterativo para a Atenção Primária. Ela nasceu porque precisávamos ter acesso aos nossos próprios dados e indicadores.
(professor Humberto Costa)
A plataforma integra teleconsultorias, teleinterconsultas e outras modalidades de atendimento remoto. Com o tempo, ganhou versões web e aplicativo para ampliar o acesso dos usuários.
Segundo Pedro Rocha, coordenador de Tecnologia da Informação do núcleo, os sistemas desenvolvidos pela equipe sustentam praticamente todas as modalidades de atendimento ofertadas.
Estamos nos bastidores desenvolvendo códigos e sistemas, mas sabemos que do outro lado existem pessoas e vidas sendo salvas por causa desse trabalho.
(coordenador de Tecnologia da Informação do núcleo, Pedro Rocha)
Uma missão que vai além da tecnologia
Para o professor Humberto Costa, a telessaúde representa mais do que uma atividade profissional. É um compromisso de vida.
Minha mulher diz que tem ciúmes da Sofia porque eu vivo mais para ela do que para qualquer outra coisa, brinca.
(professor Humberto Costa)
Cirurgião de formação, ele conta que decidiu dedicar sua carreira à telessaúde ao perceber o potencial transformador da tecnologia.
Quando eu era cirurgião, operava quatro ou cinco pacientes por semana. Com a telessaúde, consigo alcançar mil pessoas em uma única webpalestra. É isso que me motiva todos os dias.
(professor Humberto Costa)
Ao conectar profissionais, serviços e pacientes em diferentes territórios, o Núcleo de Telessaúde da UFMA vem mostrando como a inovação pode fortalecer o Sistema Único de Saúde, reduzir desigualdades e levar cuidado especializado a quem mais precisa.
Marinelma Loiola, de 46 anos, saiu da 21ª edição do Governo do Brasil na Rua com uma novidade no celular. Moradora do bairro Maiobão, ela procurou o estande do Ministério da Saúde para saber como acessar a versão digital do Cartão Nacional de Saúde e acabou descobrindo outras funcionalidades do aplicativo Meu SUS Digital.
Eu vim fazer o Cartão do SUS, que agora é digital. Me explicaram que vou ter acesso às vacinas, consultas e resultados de exames pelo aplicativo. Eu ainda não tinha e achei a explicação ótima.
(Marinelma Loiola)
A ação foi realizada na última quinta-feira (11), em São Luís (MA), e reuniu órgãos federais, estaduais e parceiros locais para ampliar o acesso da população a serviços públicos essenciais. Entre as iniciativas ofertadas pelo Ministério da Saúde estavam orientações sobre o aplicativo Meu SUS Digital, exames de retinografia e atividades de promoção da saúde bucal.
Representada pela Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI), a participação do Ministério da Saúde integrou as ações do componente SUS Digital do programa Agora Tem Especialistas. A iniciativa aproxima o Sistema Único de Saúde (SUS) da população, fortalece a comunicação com os pacientes e contribui para a qualificação da regulação em saúde. Por meio de recursos digitais, o programa amplia o acesso à atenção especializada, apoia o diagnóstico precoce de doenças e fortalece a integração entre os diferentes pontos de atendimento da rede pública de saúde.
Animada com a descoberta, Marinelma disse que pretende compartilhar a novidade com familiares e amigos.
Agora é tudo digital. Você baixa o aplicativo e tem tudo no celular. Facilita muito a vida das pessoas.
(Marinelma Loiola)
Segundo Laís Bandeira, consultora técnica da SEIDIGI, muitas pessoas ainda desconhecem as funcionalidades disponíveis na plataforma.
A Marinelma chegou perguntando como fazer o Cartão Nacional de Saúde. Explicamos que ela já possui o cartão e que pode acessá-lo pelo aplicativo Meu SUS Digital. Mostramos como baixar o aplicativo, fazer o acesso e utilizar as funcionalidades disponíveis.
(Laís Bandeira)
Além da versão digital do Cartão Nacional de Saúde, o aplicativo Meu SUS Digital permite acessar o histórico de vacinação, resultados de exames, consultas realizadas e outras informações importantes para o acompanhamento da saúde de forma prática e segura.
Retinografia auxilia na prevenção da cegueira evitável
Além das orientações sobre o Meu SUS Digital, a população também teve acesso a exames de retinografia realizados em parceria com o Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Entre as participantes estava Ana Maria Alves Silva, de 67 anos, que convive com glaucoma, diabetes e hipertensão. Ao saber que o exame estava sendo oferecido durante o evento, decidiu aproveitar a oportunidade para acompanhar a saúde dos olhos.
Eu soube da ação e vi que teria esse exame. Como tenho glaucoma, diabetes e pressão alta, achei importante fazer. Às vezes minha visão fica embaçada e preciso procurar atendimento médico.
Para ela, o acesso gratuito ao exame fez toda a diferença.
A ação é muito boa. A gente tem que aproveitar essas oportunidades. Se fosse fazer particular, seria muito caro. Hoje consegui fazer o exame e estou muito feliz.
(Ana Maria)
A experiência de Ana Maria reforça a importância do diagnóstico precoce para a prevenção de doenças que podem comprometer a visão.
Segundo Humberto Serra, coordenador do Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a ação teve como foco o rastreamento de causas de cegueira evitável em pacientes hipertensos e diabéticos acima de 40 anos. Ele explicou que, após o exame, os participantes são orientados a procurar a Unidade Básica de Saúde de referência para acompanhamento pela Atenção Primária e, quando necessário, encaminhamento para consulta com oftalmologista.
Saúde bucal e prevenção
Além da retinografia e das orientações sobre saúde digital, a população também recebeu informações e atendimentos voltados à saúde bucal. Em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão, o Ministério da Saúde promoveu ações de educação e prevenção, com orientações sobre câncer de boca e higiene bucal na primeira infância.
Segundo San Diego Souza, assessor técnico da Coordenação-Geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, a iniciativa buscou conscientizar a população sobre a importância dos cuidados preventivos.
Trouxemos ações de educação e promoção da saúde, principalmente sobre câncer de boca e higiene bucal para a primeira infância.
(San Diego Souza)
Durante o evento, também foram realizados atendimentos odontológicos na unidade móvel disponibilizada pelo Governo do Estado, com procedimentos básicos e encaminhamento de casos mais complexos para serviços especializados.
Governo do Brasil na Rua
Para Roberta Nogueira, presidente do Clube de Mães Residencial Maria Firmina I e II, de Paço do Lumiar, iniciativas como essa facilitam o acesso da população aos serviços públicos.
Esse projeto é muito bom. Nós só temos gratidão ao Governo Federal, ao SUS, ao INSS e a todos que estão aqui para ajudar a população.
(Roberta Nogueira)
Coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência da República (SGPR), o Governo do Brasil na Rua busca aproximar os serviços públicos da população, promovendo cidadania, inclusão social e acesso a direitos. Entre os serviços ofertados nesta edição estiveram negociação de dívidas pelo Desenrola Brasil, atendimento da Caixa Econômica Federal, serviços dos Correios, apoio ao empreendedorismo por meio do Sebrae, atendimentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e suporte para criação e recuperação da conta Gov.br.
Moradora de Piçarra, município localizado a cerca de 745 quilômetros de Belém, a coordenadora pedagógica Bruna Alves, de 32 anos, encontrou na telessaúde uma forma de garantir o acompanhamento especializado do filho sem precisar enfrentar longas viagens até a capital. Heitor, de 8 anos, faz acompanhamento com neuropediatra por meio do Núcleo de Telessaúde da Universidade do Estado do Pará (UEPA).
É maravilhoso, é gratificante, porque a questão da flexibilidade, a questão da economia e o atendimento humanizado. Na verdade, é o meu filho que faz acompanhamento com o neuropediatra pela telemedicina. Eu só tenho mesmo a agradecer pela qualidade dos profissionais, pela economia e pela flexibilidade. É maravilhoso o atendimento.
(Bruna Alves)
Histórias como a de Bruna têm se tornado cada vez mais frequentes desde a implantação do Núcleo de Telessaúde da UEPA, em setembro de 2024. Atualmente, a iniciativa atende 27 municípios paraenses por meio de teleconsultas e teleinterconsultas nas especialidades de neurologia, cardiologia, ortopedia, dermatologia, urologia e reumatologia.
O objetivo é ampliar o acesso da população a especialistas sem a necessidade de longos deslocamentos até a capital, realidade comum em um estado marcado por grandes distâncias geográficas e desafios logísticos.
Segundo o coordenador do núcleo, Emanoel de Jesus Souza, a procura pelo serviço já supera a capacidade inicialmente prevista pelo projeto.
Hoje realizamos cerca de 900 consultas por mês. A demanda é muito maior do que a prevista inicialmente e recebemos constantemente solicitações de novos municípios interessados em aderir ao serviço.
(coordenador do núcleo, Emanoel de Jesus Souza)
Além das consultas, o núcleo também realiza teleinterconsultas, modalidade em que profissionais da Atenção Primária podem discutir casos clínicos com especialistas, fortalecendo a resolutividade do cuidado nos territórios.
Atendimento para quem mais precisa
A atuação do núcleo vai além dos municípios participantes e alcança populações que historicamente enfrentam maiores barreiras de acesso à saúde.
Entre os beneficiados estão comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e pessoas privadas de liberdade. Em uma comunidade quilombola da região de Oriximiná, por exemplo, os atendimentos são realizados por teleconsulta com apoio de agentes comunitários de saúde. A localidade fica a cerca de oito horas de barco da sede do município e não conta com médico permanente.
O serviço também atende pessoas privadas de liberdade em unidades prisionais da região de Marituba. Com a telemedicina, pacientes conseguem receber acompanhamento especializado sem a necessidade de deslocamentos que demandariam viaturas, escolta e mobilização de equipes de segurança.
Outra frente de atuação ocorre em parceria com a Marinha do Brasil, que realiza ações de assistência à saúde em comunidades ribeirinhas de difícil acesso. Aproveitando a estrutura de conectividade disponível nas embarcações, especialistas do núcleo participam das missões levando atendimento remoto a regiões onde o acesso aos serviços de saúde ainda é um desafio.
Casos resolvidos sem necessidade de deslocamento
Os impactos da iniciativa já podem ser percebidos na vida dos pacientes. Um dos casos destacados pela equipe foi o de uma criança que aguardava havia dois anos por uma consulta em neuropediatria. O atendimento foi realizado por meio da telessaúde, permitindo avaliação especializada sem a necessidade de deslocamento até a capital.
Outro exemplo é o de um paciente vítima de acidente de motocicleta que recebeu acompanhamento ortopédico remoto após passar por cirurgia. Durante a teleconsulta, os profissionais identificaram sinais iniciais de infecção na região operada e providenciaram rapidamente seu encaminhamento para atendimento presencial. A intervenção precoce evitou o agravamento do quadro e contribuiu para a recuperação do paciente.
Para o médico ortopedista Edmilson Brabo, a telessaúde tem papel fundamental em um estado das dimensões do Pará.
A gente consegue levar atendimento especializado para pessoas que muitas vezes teriam dificuldade para chegar a um especialista. Além disso, quando há necessidade de avaliação presencial, o paciente já chega com exames e acompanhamento iniciados, o que agiliza a continuidade do cuidado.
(Dr. Edmilson Brabo)
Atualmente, a ortopedia é a especialidade mais procurada pelos usuários do serviço, seguida pela dermatologia. Entre as principais demandas estão dores na coluna, ombros e joelhos, além de doenças dermatológicas que exigem acompanhamento especializado.
Formação profissional e teleeducação
Além da assistência, o núcleo também atua na formação de profissionais e estudantes da área da saúde. Acadêmicos de medicina e enfermagem acompanham os atendimentos e participam de estudos sobre o perfil epidemiológico dos pacientes e a qualidade dos serviços prestados.
A teleeducação é outro eixo importante da iniciativa. Professores da universidade realizam webconferências e cursos voltados para profissionais da rede pública, abordando temas definidos pelos próprios municípios de acordo com suas necessidades locais.
As aulas são transmitidas ao vivo e, posteriormente, disponibilizadas em ambiente virtual, ampliando o acesso ao conhecimento e fortalecendo a educação permanente em saúde.
Para William, estudante de medicina e estagiário do núcleo, a experiência contribui tanto para a formação acadêmica quanto para a compreensão da realidade do SUS.
O Pará é um estado muito grande e muitos pacientes vivem a horas de distância da capital. A telessaúde ajuda a resolver demandas sem que essas pessoas precisem viajar longas distâncias para conseguir atendimento especializado.
(estagiário do núcleo, William)
Perspectivas de expansão
Com a crescente demanda pelos serviços, o Núcleo de Telessaúde da UEPA planeja ampliar sua atuação nos próximos anos. Entre as propostas estão a oferta de novas especialidades, como psiquiatria e infectologia, além da expansão das ações de telediagnóstico.
A equipe também trabalha para fortalecer a emissão de laudos à distância em áreas como radiologia, eletrocardiograma e eletroencefalograma, além de ampliar as atividades de teleeducação para profissionais da rede de saúde.
Em um território marcado por grandes distâncias geográficas e desafios de acesso, a experiência da UEPA demonstra como a saúde digital pode aproximar especialistas de quem mais precisa. Para famílias como a de Bruna e Heitor, a tecnologia representa não apenas comodidade, mas a possibilidade de receber acompanhamento especializado com qualidade, continuidade e cuidado mais perto de casa.
Antes de realizar um procedimento em um paciente com câncer, médicos do Hospital Universitário Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, puderam treinar a passagem de um broncoscópio em uma réplica exata da traqueia do paciente. O modelo anatômico foi produzido em impressora 3D pelo Núcleo de Telessaúde da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), permitindo que a equipe simulasse o procedimento antes da intervenção real e aumentasse a segurança da tomada de decisão clínica.
O caso é um dos exemplos de como a saúde digital vem sendo utilizada para apoiar profissionais e qualificar o atendimento aos pacientes. Referência nacional na área, o Núcleo de Telessaúde da UERJ reúne assistência remota, teleeducação, pesquisa, inovação e formação profissional em uma trajetória que acompanha a própria evolução da telessaúde no Brasil.
O nosso núcleo tem uma trajetória pioneira, junto com as atividades promovidas, incentivadas e induzidas pelo Ministério da Saúde.
(professora e coordenadora do núcleo, Alexandra Monteiro)
A história da iniciativa começou ainda nos primeiros anos dos anos 2000, quando a universidade estabeleceu uma parceria internacional com a Universidade Johns Hopkins. Em 2005, a instituição passou a integrar o Projeto Piloto Nacional de Telessaúde e, desde então, participa de ações voltadas à assistência remota e à qualificação dos profissionais de saúde.
Quase duas décadas depois dos primeiros projetos de telessaúde, a iniciativa segue alinhada à estratégia de transformação digital do SUS conduzida pelo Ministério da Saúde por meio da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI). A atual secretária da pasta, Ana Estela Haddad, foi citada por Alexandra como uma das lideranças envolvidas nos movimentos que impulsionaram a telessaúde no ambiente universitário e no SUS.
Começamos a partir do movimento liderado pelo professor Francisco Campos e pela professora doutora Ana Estela Haddad, que hoje é a Secretária de Informação e Saúde Digital.
Ao longo dos anos, o núcleo desenvolveu tecnologias próprias e aperfeiçoou continuamente seus sistemas de atendimento remoto.
Nós sempre desenvolvemos e aperfeiçoamos os nossos sistemas de teleatendimento. Isso fez com que o nosso núcleo, ao longo dessa jornada de 23 anos, permanecesse na oferta da telessaúde, agora incluindo o Centro de Teleconsulta do Hospital Universitário Pedro Ernesto.
Alexandra Monteiro
Formação para a saúde digital
Além da assistência, a capacitação de profissionais é uma das principais frentes de atuação do núcleo. Há cerca de duas décadas, a equipe oferece cursos de educação a distância voltados para trabalhadores da saúde, contribuindo para a disseminação do conhecimento e o fortalecimento das práticas de saúde digital em todo o país.
Mais recentemente, as ações passaram a contemplar também profissionais da área de tecnologia da informação, especialmente por meio do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde Digital (PET Saúde Digital).
Outro diferencial é o Programa de Pós-Graduação em Telessaúde e Saúde Digital da UERJ, considerado o único curso stricto sensu do país dedicado exclusivamente à área.
Outro braço, que é um diferencial do núcleo até o momento, é o nosso programa de pós-graduação stricto sensu em Telessaúde e Saúde Digital, que é o único no país.
(Alexandra Monteiro)
O curso utiliza metodologia a distância e já formou mestres em todas as regiões brasileiras, contribuindo para a produção de conhecimento e o desenvolvimento de soluções voltadas à transformação digital do SUS.
Impressão 3D a serviço do cuidado
Um dos projetos mais inovadores desenvolvidos pelo núcleo é o Laboratório Saúde 3D, criado com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e voltado ao desenvolvimento de soluções para o Hospital Universitário Pedro Ernesto.
No local, estudantes, pesquisadores e profissionais produzem instrumentos, guias cirúrgicos, próteses, órteses e modelos anatômicos complexos a partir de exames de imagem dos pacientes.
Por meio da impressão 3D nós somos capazes de produzir instrumentos, guias cirúrgicos e principalmente modelos anatômicos complexos, que hoje são o carro-chefe do nosso laboratório para auxílio na conduta clínico-cirúrgica.
(estudante de medicina Iasmin Lourenço, integrante da equipe)
Entre os modelos já produzidos estão aneurismas de aorta e traqueias estenosadas utilizadas para planejamento cirúrgico e treinamento de equipes médicas.
Nós tivemos um caso muito interessante de uma traqueia estenosada em um paciente com câncer. Produzimos o modelo 3D para que os cirurgiões conseguissem treinar a passagem de um broncoscópio antes mesmo do procedimento.
(Iasmin Lourenço
Além das impressoras, o laboratório conta com scanners de alta resolução capazes de reproduzir partes do corpo humano com grande precisão, auxiliando na produção de próteses e outros dispositivos personalizados.
Para Alexandra, a utilização da impressão 3D representa um exemplo de como a inovação pode apoiar a prática clínica e ampliar a qualidade do cuidado prestado aos pacientes.
A saúde 3D é uma pesquisa aplicada na prática. Ter na mão uma peça impressa em 3D ajuda o cirurgião na tomada de decisão e na simulação de procedimentos. Esse é um diferencial que tem trazido um retorno muito positivo.
Formação de novos talentos
O ambiente de inovação também tem servido como espaço de formação para estudantes que desejam atuar na área da saúde digital.
Foi o caso de Iasmin Lourenço, que conheceu o laboratório ainda no início da graduação em medicina e participou de sua implantação.
Quando eu cheguei aqui, o laboratório estava sendo montado. Eu consegui vislumbrar todas as possibilidades que a impressão 3D conseguia fornecer para a saúde. Comecei a frequentar, ajudei a montar o laboratório e me apaixonei.
Hoje, a estudante vê no projeto uma oportunidade de unir tecnologia, pesquisa e cuidado em saúde.
O Núcleo de Telemedicina e Telessaúde de Goiás, vinculado à Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), tem se consolidado como uma das principais experiências de saúde digital do país.
Criado em 2007, o serviço nasceu como parte de uma estratégia nacional de apoio à Atenção Primária à Saúde e, desde então, vem ampliando o acesso da população a ações de teleassistência, telediagnóstico, teleducação e apoio técnico às equipes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, o Núcleo atua em 241 dos 246 municípios goianos e também apoia municípios de outros estados por meio da oferta nacional de serviços, especialmente na área de teleoftalmologia.
A estrutura conta com equipe multiprofissional, colaboradores, teleconsultores e especialistas que auxiliam profissionais da rede pública na discussão de casos, emissão de laudos e qualificação do cuidado.
Na prática, o Núcleo funciona como uma ponte entre os profissionais que estão nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e especialistas que podem apoiar o diagnóstico, a conduta clínica e a continuidade do cuidado. A proposta não substitui o atendimento presencial. Ao contrário, fortalece a rede local, complementa o trabalho das equipes e contribui para ampliar o acesso da população a serviços especializados, principalmente em municípios com maior dificuldade de deslocamento, carência na oferta de exames e disponibilidade de especialistas.
A atuação do Núcleo está alinhada à Rede Brasileira de Telessaúde, iniciativa do Ministério da Saúde voltada à expansão dos serviços de telessaúde no SUS. A rede apoia profissionais, gestores e serviços de saúde com modalidades como teleconsulta, teleconsultoria, teleinterconsulta, telediagnóstico, telemonitoramento e teleorientação.
A estratégia integra o Programa SUS Digital e é conduzida no âmbito das ações da Secretaria de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde (SEIDIGI/MS).
Como funciona o acesso aos serviços
O acesso aos serviços do Núcleo começa, em geral, pelo município. Secretarias Municipais de Saúde, coordenadores locais ou gestores da Atenção Primária formalizam o interesse e realizam o credenciamento junto ao Telessaúde Goiás. No caso dos municípios goianos, o contato pode ser feito diretamente com o Núcleo. Já para municípios de outros estados, especialmente quando se trata da oferta nacional, o fluxo passa pelo Ministério da Saúde, por meio da SEIDIGI, que recebe a manifestação de interesse e encaminha a solicitação à UFG para análise e organização do serviço.
Após o cadastro, as equipes das UBS passam a interagir diretamente com o Núcleo. Médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde cadastrados podem acessar a plataforma, enviar dúvidas, discutir casos clínicos, solicitar teleconsultorias ou encaminhar exames para emissão de laudos, conforme a modalidade disponível.
De acordo com Rogerio Gomes Arantes, gerente administrativo do Núcleo de Telemedicina e Telessaúde de Goiás, o processo começa com a manifestação formal do município e, depois da liberação, os profissionais da rede local passam a ter acesso às atividades.
O município deve, por meio do secretário ou coordenador, entrar em contato conosco, via ofício, para fazermos o cadastro no projeto telessaúde. A partir do momento em que o município é liberado, o profissional autorizado pela unidade já consegue acessar os serviços.
(Rogério Arantes)
Para o funcionamento básico, o município precisa dispor de internet, computador e conexão adequada para uso da plataforma. No caso de exames específicos, como a retinografia, também é necessário contar com equipamentos próprios ou receber a campanha itinerante organizada pelo Núcleo, quando disponível.
Resumo
1️⃣ Manifestação de Interesse
???? Município solicita adesão ao programa
Secretário Municipal de Saúde
Coordenador local
Gestor da Atenção Primária
➡️ Envia ofício e solicita credenciamento
2️⃣ Credenciamento
Municípios de Goiás
????️ Contato direto com o Núcleo de Telessaúde Goiás
Municípios de outros estados
???? Solicitação enviada ao Ministério da Saúde (SEIDIGI)
➡️ Ministério encaminha à UFG para análise
3️⃣ Cadastro e Liberação
✅ Município aprovado
➡️ Profissionais autorizados da rede municipal recebem acesso à plataforma
Médicos
Enfermeiros
Demais profissionais de saúde
4️⃣ Acesso aos Serviços
???? Plataforma Telessaúde Goiás
Os profissionais podem:
???? Solicitar teleconsultorias
???? Discutir casos clínicos
❓ Tirar dúvidas com especialistas
???? Encaminhar exames para laudos
???? Participar de ações de educação permanente
5️⃣ Estrutura Necessária
???? Unidade Básica de Saúde
É preciso ter:
???? Internet
???? Computador
???? Conexão adequada para a plataforma
6️⃣ Serviços Especializados
????️ Exames como retinografia
Necessário:
???? Equipamento próprio
ou
???? Atendimento por campanhas itinerantes do Núcleo
Resultado
❤️ Mais acesso a especialistas
⚡ Diagnóstico mais rápido
???? Capacitação permanente das equipes
???? Fortalecimento do SUS Digital nos municípios
Sugestão visual do fluxo
???? Solicitação do Município ⬇️ ✅ Credenciamento ⬇️ ????⚕️ Cadastro dos Profissionais ⬇️ ???? Acesso à Plataforma ⬇️ ???? Teleconsultorias | ???? Laudos | ???? Capacitação ⬇️ ❤️ Mais cuidado para a população pelo SUS Digital
Serviços disponibilizados
O Telessaúde Goiás oferece um conjunto de serviços voltados ao apoio da rede pública, com foco na Atenção Primária. Entre as principais frentes estão a teleassistência, a teleducação, o telediagnóstico, as teleconsultorias e as ações de suporte técnico e de gestão.
Na teleassistência, profissionais das UBS podem discutir casos clínicos com especialistas e receber orientações para qualificar a conduta. A modalidade funciona como uma segunda opinião formativa, contribuindo para aumentar a resolutividade da Atenção Primária e reduzir encaminhamentos desnecessários.
Na teleducação, o Núcleo disponibiliza aulas, cursos, seminários, webconferências, conteúdos gravados e discussões voltadas aos profissionais de saúde. A estratégia fortalece a educação permanente, permite atualização das equipes e ajuda a levar conhecimento técnico a municípios distantes dos grandes centros.
No telediagnóstico, uma das principais frentes do Núcleo, são realizados laudos à distância em telecardiologia e teleoftalmologia. Na cardiologia, o serviço inclui laudos de eletrocardiograma. Na oftalmologia, o destaque é a retinografia, exame de imagem que permite avaliar o fundo do olho e identificar precocemente doenças que podem comprometer a visão.
Entre 2015 e 2026, o Telessaúde Goiás realizou 22.654 exames de telerretinografia e 80.850 atendimentos em telecardiologia. No campo da educação em saúde, foram registrados 430.617 acessos a teleaulas gravadas e 384.944 participações em teleaulas ao vivo.
Campanha de detecção das principais causas de cegueira
Uma das ações mais reconhecidas do Núcleo é a campanha de detecção das principais causas de cegueira, realizada com uso de retinógrafo. A ação é voltada especialmente à identificação de doenças como catarata, glaucoma, retinopatia diabética, degeneração macular relacionada à idade, pterígio e outras alterações relacionadas à retina.
Segundo Grazielle Almeida Madriny Paim, auxiliar de enfermagem do Telessaúde Goiás e responsável pela organização da campanha de detecção das principais causas de cegueira no estado, o serviço é gratuito para os municípios credenciados e pode ser solicitado pelo gestor municipal, secretário de saúde ou coordenador local. A equipe do Núcleo também realiza contato ativo com os municípios para apresentar a campanha e organizar a operação.
Essa não é uma campanha refrativa. Ela não tem como foco a prescrição de óculos. O objetivo é detectar doenças que podem comprometer a visão e que, muitas vezes, precisam de acompanhamento, tratamento, cirurgia ou medicação.
(Grazielle)
A campanha pode realizar até 140 exames por dia. O público prioritário inclui pessoas com diabetes a partir dos 12 anos e pessoas acima de 40 anos, faixa etária em que aumenta a atenção para doenças como o glaucoma, que pode evoluir de forma silenciosa. Pacientes com diabetes e hipertensão também são priorizados, a partir do levantamento feito pelos municípios.
Após a realização do exame, os laudos são devolvidos ao gestor municipal, em média, em até 30 dias. A partir do resultado, cabe à rede local organizar a continuidade do cuidado, seja com novos exames, acompanhamento, tratamento medicamentoso ou encaminhamento para cirurgia, quando necessário.
A campanha também tem revelado situações de pessoas que nunca haviam tido acesso ao exame. Grazielle relata o caso de uma moradora de Araguapaz que interrompeu a rotina de trabalho para realizar a retinografia pela primeira vez.
Ela disse que nunca tinha tido essa oportunidade. Para nós, é uma grande satisfação atender esse público e levar uma tecnologia que muitas pessoas talvez não acessassem de outra forma.
(Grazielle)
Em outra situação, durante uma ação em Pires do Rio, a equipe identificou, por meio da imagem ocular, um corpo estranho no olho de um trabalhador que havia sofrido acidente com fagulha de solda. O caso foi encaminhado pela gestão municipal para atendimento especializado.
A gente se depara com acidentes de trabalho, acidentes domésticos e também com muita falta de informação. Por isso, esse trabalho precisa fazer parte da prevenção.
(Grazielle)
Referência nacional em teleoftalmologia
A experiência acumulada em Goiás fez com que o Núcleo se tornasse referência nacional na oferta de laudos em teleoftalmologia. Além da atuação nos municípios goianos, o serviço recebe exames de 18 estados da Federação para análise por especialistas vinculados ao Núcleo.
O médico e doutor Alexandre Taleb, coordenador do projeto, explica que a teleoftalmologia foi uma das áreas de especialização do serviço desde o início. A proposta é usar imagens do fundo de olho para identificar precocemente doenças que podem levar à perda da visão.
O programa busca, por meio da retinografia, identificar as principais causas de cegueira: catarata, glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética. Ao prevenir a cegueira, reduzimos o custo do tratamento e, principalmente, o impacto social para o paciente, para a família e para o sistema de saúde.
(Coordenador do Projeto, Dr. Alexandre Taleb)
Segundo Taleb, a devolução do laudo para a equipe da Unidade Básica de Saúde permite que o cuidado permaneça próximo do cidadão. A tecnologia, nesse sentido, não afasta o paciente da rede local; ao contrário, fortalece o vínculo com os profissionais que já acompanham sua trajetória no SUS.
A teleoftalmologia também dialoga com estratégias nacionais de ampliação do acesso à atenção especializada, como o Agora Tem Especialistas, ao contribuir para o diagnóstico oportuno e para a organização dos fluxos de cuidado.
Apoio direto à Atenção Primária
O foco principal do Telessaúde Goiás é a Atenção Primária. É nas UBS que surgem boa parte das demandas, seja para discussão de caso, solicitação de laudos, participação em teleaulas ou organização de campanhas. O Núcleo, no entanto, não substitui os fluxos municipais de regulação. Quando um paciente precisa seguir para atendimento especializado, a continuidade do cuidado é organizada pela própria rede municipal ou estadual.
Essa articulação preserva o papel da Atenção Primária como ordenadora do cuidado e fortalece a capacidade das equipes locais. Em vez de simplesmente encaminhar o usuário para outro ponto da rede, o profissional da UBS pode contar com apoio técnico para avaliar a melhor conduta, qualificar o diagnóstico e definir quando o encaminhamento é realmente necessário.
Para Rogerio Gomes Arantes, esse acompanhamento permanente dos municípios é uma das marcas do Núcleo. A equipe administrativa não apenas recebe documentos e libera cadastros; também monitora a utilização dos serviços, acompanha a adesão dos municípios, organiza grupos de comunicação, identifica quedas de participação e estimula o uso das ferramentas.
A gente tenta entender o que aconteceu quando há baixa adesão e busca auxiliar o município. Criamos grupos, acompanhamos indicadores, estimulamos a participação e procuramos oferecer temas importantes para a rotina dos profissionais. Todos saem ganhando com esse trabalho.
(Rogerio Gomes Arantes)
Educação permanente e troca de conhecimento
Além da assistência e dos laudos, a teleducação é um eixo estruturante do Núcleo. As aulas, cursos e seminários permitem que profissionais de diferentes municípios tenham acesso a conteúdos atualizados sem necessidade de deslocamento.
Essa dimensão educacional tem impacto direto na qualidade do cuidado, pois aproxima equipes da Atenção Primária de especialistas, protocolos e discussões clínicas. Também permite que temas estratégicos definidos pelo Ministério da Saúde e pela SEIDIGI sejam disseminados com mais capilaridade para os territórios.
Para o Núcleo, a formação continuada é indissociável da assistência. Ao discutir um caso, orientar um profissional ou oferecer uma aula, o serviço contribui para que o conhecimento permaneça no território e qualifique atendimentos futuros.
Integração com a Rede Brasileira de Telessaúde e com a SEIDIGI
A experiência goiana integra um movimento mais amplo de expansão da saúde digital no SUS. A Rede Brasileira de Telessaúde é apoiada pelo Ministério da Saúde e reúne Núcleos de Telessaúde que atuam como centros especializados em teleatendimento, com equipes clínicas e oferta de diferentes modalidades em todo o país.
No âmbito federal, a SEIDIGI é responsável por induzir, coordenar e apoiar políticas de informação e saúde digital no SUS. Entre essas políticas estão a expansão da telessaúde, o fortalecimento do Programa SUS Digital, a interoperabilidade, o apoio à tomada de decisão por gestores e a qualificação do cuidado ofertado à população.
Para o médico e doutor Alexandre Taleb, a criação de uma secretaria específica para cuidar da informação e da saúde digital representou um avanço estratégico para o país. Segundo ele, a articulação conduzida pela SEIDIGI entre seus departamentos e áreas técnicas, como o DATASUS, o DEMAS e o DESD, e plataformas estruturantes, como a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), permite avançar não apenas na teleassistência e na teleducação, mas também na integração segura de informações e na incorporação da saúde digital ao cuidado diário dos pacientes acompanhados pelas Unidades Básicas de Saúde.
A RNDS é a plataforma nacional de interoperabilidade do SUS. Ela permite a troca segura e padronizada de informações de saúde, conectando diferentes sistemas e serviços para apoiar a continuidade do cuidado, o acesso dos profissionais a dados qualificados e o planejamento da gestão pública em saúde.
A criação de uma secretaria específica para cuidar da saúde digital e da informação foi um ganho inestimável. Ela permite pensar novas ações, colocar a Estratégia de Saúde Digital de pé e integrar a telessaúde ao cuidado cotidiano dos pacientes acompanhados pelas Unidades Básicas de Saúde.
(Dr. Alexandre Taleb)
Tecnologia para reduzir distâncias
Ao longo de sua trajetória, o Núcleo enfrentou desafios como conectividade limitada, resistência inicial de profissionais ao atendimento remoto e necessidade de adaptação dos municípios ao uso das ferramentas digitais. A pandemia de covid-19, segundo os profissionais entrevistados, acelerou a compreensão sobre a importância da telessaúde e mostrou que o cuidado mediado por tecnologia pode ser realizado com segurança, responsabilidade e vínculo.
A pandemia mostrou a necessidade de outra forma de cuidar. As pessoas viram que era possível ter empatia, cuidado e atenção mesmo de forma não presencial”.
(Dr. Alexandre Taleb)
Para Grazielle Almeida Madriny Paim, o impacto do trabalho está justamente em levar saúde e tecnologia a pessoas que dificilmente teriam acesso a determinados exames.
Não é só gostar. É comprometimento e se colocar no lugar do outro. A gente leva saúde e tecnologia de ponta a pessoas que poderiam não ter esse acesso de forma tão fácil.
Rogerio Gomes Arantes também destaca o sentido humano da atuação administrativa.
Mesmo não sendo profissional de saúde, eu me sinto levando saúde, porque sei que meu trabalho ajuda o profissional que está na outra ponta.
Com quase duas décadas de atuação, o Núcleo de Telemedicina e Telessaúde de Goiás demonstra como a tecnologia pode fortalecer o SUS quando está integrada à rede pública, à universidade, aos municípios e às políticas nacionais. Mais do que aproximar especialistas de pacientes, a telessaúde aproxima conhecimento, cuidado e oportunidade de quem mais precisa.